da porta pra dentro, as individualidades, invadidas, tratam de invadir os cheios de pudor desejos, e lhes roubar as saias já curtas, torná-lo àspero aos olhos, barbudos. antes fôssemos nus. a nudez fantasiada, está lá fora, com as gritantes revoluções em teoria, como assuntos de janela, empoeiradas pela ascensão em potencial. somos sãos, estamos sãos. não há relógios pelas paredes longas e brancas. e o cheiro dos quartos, meio que empregna suas roupas, meio que vai impregnando sua alma. e você parece tão velho, e tão cansado depois de apenas alguns dias. a lentidão que você procura externamente não te segura, por dentro, é como sertir seu corpo se invalidando, como móveis de casas de praia na maior parte dos meses abandonada, a maresia vai comendo, o alcool também não te segura, o tempo não te segura, o dia de ir pra casa não te segura. e você pensa, ainda embriagado: ‘ah, eu poderia viver assim pra sempre, os músculos adormecidos e rabugentos do meu rosto se mexem involuntariamente, sem esforço’. outras doses, outros dedos, outro trago, e o banheiro menor, e o bar menor, e as distâncias entre os corpos menor, e as almas mais proximas, é você que está maior, teus pés que não se encontram ao chão, e então talvez, seja o tempo também mais curto, e o frio mais quente, e mais úmido, e menos tímido. e todas suas pretensões perceptivas somem de você, dos seus dedos, das suas racionalizações. no meio de tudo isso, ela parece e diz: ‘é porque eu bebo, e me sinto tão mais..’, você: ‘leve?’, ela: ‘não, promiscua’. e seus olhos se cruzam pedintes. e se paralisam na memória. porque você é tão individualista ainda, a invasão ainda é consentida. você ainda está contaminado pela mentirosa velocidade da sua cidade, ainda vende uma ou outra mentira pra parecer qualquer outra coisa. e a falta de casa, talvez seja apenas por falta de qualquer outra coisa.
como os desnecessarios vícios de se contradizer constamente;
desconstrução dos inícios tão intectuafalsalmentefabricados.


