que se dane o estado bruto.
As viagens da ilha.
•20/10/2009 • 1 Comentárioda porta pra dentro, as individualidades, invadidas, tratam de invadir os cheios de pudor desejos, e lhes roubar as saias já curtas, torná-lo àspero aos olhos, barbudos. antes fôssemos nus. a nudez fantasiada, está lá fora, com as gritantes revoluções em teoria, como assuntos de janela, empoeiradas pela ascensão em potencial. somos sãos, estamos sãos. não há relógios pelas paredes longas e brancas. e o cheiro dos quartos, meio que empregna suas roupas, meio que vai impregnando sua alma. e você parece tão velho, e tão cansado depois de apenas alguns dias. a lentidão que você procura externamente não te segura, por dentro, é como sertir seu corpo se invalidando, como móveis de casas de praia na maior parte dos meses abandonada, a maresia vai comendo, o alcool também não te segura, o tempo não te segura, o dia de ir pra casa não te segura. e você pensa, ainda embriagado: ‘ah, eu poderia viver assim pra sempre, os músculos adormecidos e rabugentos do meu rosto se mexem involuntariamente, sem esforço’. outras doses, outros dedos, outro trago, e o banheiro menor, e o bar menor, e as distâncias entre os corpos menor, e as almas mais proximas, é você que está maior, teus pés que não se encontram ao chão, e então talvez, seja o tempo também mais curto, e o frio mais quente, e mais úmido, e menos tímido. e todas suas pretensões perceptivas somem de você, dos seus dedos, das suas racionalizações. no meio de tudo isso, ela parece e diz: ‘é porque eu bebo, e me sinto tão mais..’, você: ‘leve?’, ela: ‘não, promiscua’. e seus olhos se cruzam pedintes. e se paralisam na memória. porque você é tão individualista ainda, a invasão ainda é consentida. você ainda está contaminado pela mentirosa velocidade da sua cidade, ainda vende uma ou outra mentira pra parecer qualquer outra coisa. e a falta de casa, talvez seja apenas por falta de qualquer outra coisa.
como os desnecessarios vícios de se contradizer constamente;
desconstrução dos inícios tão intectuafalsalmentefabricados.

•24/08/2009 • Deixe um comentário
eis a morte da extensão criativa. essa minha repetição de todos os dias de um mesmo tom de voz e a fala decorada que não depende da resposta de alguém. é com você que eu desejo falar mesmo. e tem me bastado que você me enxergue viva. dentro da tua pretenciosa e apaixonada memória, que me culpa, se arrepende e se culpa, e então me culpa e volta a se arrepender, num estavel movimento pretende o enlouquecimento de minha pessoa talvez. jaz minha paciência ao ralo. e minha esperanço otimismo. sabe, afinal, não é o curso, a cidade, ou a grossura do colchão em que durmo, sou eu. e eu não vou desistir desse jeito, eu vou precisar ficar bem louca antes. eu até já comecei. esse insano retiro é apenas reflexo, não deve ser atacado diretamente. apenas você pode me ver, e veja que como é bela nossa confusão, sou eu que não consigo ver nada. eu realmente acredito que posso te ajudar, e isso já se torna uma megalomaniaca justificativa para minhas necessidades, enquanto pra você sou eu assumindo uma fraqueza, assumindo que o amor não é bastante. meus sentidos e razões quase adormecidos sussuram ao fundo, incertos, que é justamente por amá-la tanto, que poderia adimitir com humildade que apesar do tanto que luto pra que seja verdade, não consigo. ¹há de não ser perfeito, de não ser perfeito. pra que não pareça justo. tal justiça baseada na liberdade inerente a tua criativa e viva individualidade que necessita ser dita como tal, além de cega, nos levaria a desculpar-nos. novamente, novamente. até perdermos o sexo. e então, perder-nos de vista.
¹ainda que egoístas verdades como parte dessas nos tornem estranhas e estranhem o amor.
•14/07/2009 • Deixe um comentário
Johnny: the last barato
m. se alguem quiser morer, avisa aí..
Johnny *assovio de filme de bang bang
Johnny o vento ao rosto
m. amassa o cuminho e VAI.
Johnny o sol ardente
Johnny sob os ombros de manto
m. os ombros sob o manto.
Johnny o silêncio das estepes
m. estepes são silênciosas.
Johnny e o suor que escorre entre os olhos
m. entre os olhos se apóia o óculos.
Johnny os batimentos de corações sem piedade aumentam
m. coração não tem piedade, é músculo.
Johnny figas em todas as regiões se apertam
Johnny e dois estampidos trazem o sil~encio eterno
Johnny BANG BANG!
Johnny dois tiros, uma morte
m. economia de bala é sempre bom.
Johnny isso é o que dá
m. eco.nomia. = nomenclatura do natural. é isso que dá.
Johnny chamar o zotro pro duelo
m. o zorro, é.. é isso que dá.
Johnny alguem sempre machuca um olho
m. ou os dois.
m. - mãe, mãe, meu olho!
Johnny zorro não é desta época
m. morreu!
nostalgia dos próximos dias.
•23/06/2009 • Deixe um comentárioàvozes.
ainda como meninas, as mesmas.
Os passos estavam muito largos hoje, um ou outro sorriso por perto, em mim. Alguns dias sem os dela, e qualquer um dos seus tantos me pareceram o maior deles. Jaz no que atrapalha os verbos, como as confusões da mãe. A mesquinhez da avó. Sei que há de ser tudo hereditário, como as verrugas pelo corpo, as pintas, e o olhar. Os homens não, esses são do tipo que se assemelham nas diferenças, mais literalmente empobrecidos de geração pra geração. Já lamento pelos netos. Lamento pelas tardes, pelas memórias muito familiares, cheias de vulgaridades. Os detalhes que eu observava dos corpos, não da presença, do que grandes significavam, mas dos corpos. Arqueados, redondos, estranhos. E os cheiros. O leite de rosas de quem nunca chamei de vó. Porque vó apenas a outra, ela seria apenas aquela. E eu a única neta presente em suas madrugadas sem sono. Se bem que me lembro de atormentá-la durante a noite, com medo que parasse de respirar, deitada à porta ouvindo a respiração, até que ela percebesse, e então, atormentada, me levasse pra cama, enquanto eu, com os olhos inchados, sentia aquele buracoimensofundo lá dentro e uma saudade de algo que, agora percebo, sempre estave ali. Já tinha saudade por esses dias. Mas nâo é falecida, ainda que a escrita tão cheia de nostalgia a faça parecer, está apenas ausente. Sei que a memória acabou por lhe comer alguns carinhos. Suas risadas de cócegas. O tempero bem feito. Lhe comeu a lembrança amada da neta, por inteiro: ‘o amor da minha vida’. Foram os estranhos dentro de sua casa, talvez, as brincadeiras que se tornaram agressivas demais, e eu lembro dos gritos, e dos socos na mesa, sem qualquer razão que me defendesse à altura que me havia colocado. Que é porque a mãe pra vó é santa, e eu me senti mais virgem, tive de rebelar. Fui embora, eu lembro que fui. Meu pôr-do-sol perfeito ao horizonte da fuga, nunca mais notei. Nem encontrei mais as tarefas dos postos invisíveis no quintal. A nuvens deixaram de obedecer, e então, as sombras sumiram, as rugas sumiram, mas é porque finalmente juntou os 10 mil. Eu apenas encontrei a última costura.
Foram as repetições dela que ficaram na minha cabeça. Assim como o sumiço das pessoas dos dias em que a sua foi como sua menina. Tão insano quanto poderia ser. E agora, a gente já sabe que vai e o que vai precisar afastar, e deixar nem tão longe, nem tão perto, mas fora do alcance dos olhos, escondido entre os cadernos antigos. Eu entre as meias rasgadas e desenhos, você entre as saias e as cartas,que por sua vez, não deixará de usar e receber. Longe, talvez, além, mas apenas de si, que muito perto é muito sano, real demais em toda irrealidade, e um pouco menos a cada instante. Apenas agora arrotaremos os limites que achamos dever ter desde já pra que não sejamos iguais à elas. Pra que assim as mães pareçam sempre mais bonitas e nós mais similares. Que é como se a hereditariedade e os traumas roubassem a liberdade de uma ignorância doce que nos preencheria de nós mesmas. [...]
longe demais, abril.
•23/06/2009 • 1 Comentário[atrasada interação: os precisos da menina: liendaa.wordpress.com]
“que é preciso que eu não precise mais.nem você.que as precisões sejam desimportantes, nulas, a fins de finais que se findam, apenas, longe do alcance dos olhos. dos exageros que posso, afinal, o que eu preciso, não deve permear a cabeça e terminar as frases cuspidas, como as tuas, com a sensação pouca de que ‘seria o bastante’ conceber tais precisões como a solução de um tão mais, talvez, dia de sol. não seria sol. pois não, o que digo é: não seria o bastante. ele diria: ‘de qualquer forma, sempre há algo que nos falta’, e não deve preencher, deve mesmo faltar, tudo. Pra que a possibilidade de suprir tal suplicio, não nos cegue como cegam nossas vontades instantaneas, facilmente resolvidas. ah, que essas coisas todas, então, sigam uma ordem qualquer, e sumam. e pra deixar mais proximo, falo pela atual desordem daqui. assim como as outras, como essa última, que se vai. espero que ao sol, se encontrem por lá mesmo, elas mesmas, por si sós, e se deitem, sempre. hoje mesmo estou implorando pra que volte, mas não precisa, não deve precisar tanto assim. coisa certa mesmo é não bastar, como mãe, pai, e emprego, e teu dinheiro, que sempre vai faltar. pois todas as vezes que me disser que o que lhe falta é distração, vou te arrancar, assim sem mais, como um segredo por trás dos pontos, que é esta a distração, a discussão amarga de um precisar que sabe ser tão cinema, tão iludido e acabado que apenas a exime da culpa. e assim, na cara dura. por não ser o bastante, bastar. e culpa absoluta essa, saiba, dos seus silêncios e momentos em vão. culpa absoluta essa da sua falta absoluta de tempo. de tanto não o encontrar. porque acaba, vai acabar, você nem vai ver, de tanto procurar. é esse pessimismo altruísta que vai ser algo maior, apenas ele, até porque não vejo grandes edifícios de sentimentos colados nessas palavras harmoniosas e simples, e é, eu preciso mesmo ser cega e amarga em dias como esses, e cobrar coisas impossíveis de quem nem sequer sabe o que quer dizer com o que diz. e hoje, como nunca, não pretendo precisões além dessas, sobre os edifícios. além das palavras esporradas simples, mantidas próximas do meu desejo afinal, de não estar por aqui. nem por eles.”
“além dos esconderijos {…}
•29/04/2009 • Deixe um comentárioteu sorriso, garoto, me lembra o de outro desajustado, de casa. e te chamo de garoto e me sinto tão mais velha quanto deseja que eu sinta. mas eu aqui sentada, não possuo os mesmos traços, ou o desenho da franja, que sequer tenho, quanto mais uma idade qualquer. ainda assim, não permitiria que dirigisse meus atos, por trás de seus óculos-escuros quadrados. não sou ana, você não é jean. e garoto, você também fica tão frágil quando demonstra sua insensibilidade criativa. por isso, não te escreverei mais, não preciso de outro. e sequer preciso que meus olhos cruzem com os seus todos os dias pra me lembrar o quanto estou longe dele ou de mim agora. porque eles desviam dos meus. e eu ganho a certeza de que também não estou aqui. estava antes, mas foi o corpo, que me meteu de volta ao seu volta de mim, que o outro dizia. não foi o diálogo mental vazio, nem as confusões que eu sinto tão forte aqui dentro saltando dos seus olhos e de seus dedos para esse mundo, deserto, ilha. o que rodeia é água, te disse em silêncio outro dia. mas é porque nem sinto vontade de falar nada. mas não, havia algo a mais ali. e por isso não há mais nada agora, por haver tanto numa profusão de sentidos que diziam ‘vai ser’. não foi, porque o aborto me parece mais interessante, assim como confissão secreta que ninguém percebe e que se precisa tanto dizer, e corpos por si sós, tendem a parecer tão iguais em tempos como esse, principalmente nus. é preciso contê-los.
{…} há o desajuste consciente dos dias comuns e simples, poéticamente ajustados, no excesso de consciencia, na mente dos forjados loucos. “
coro.
•29/04/2009 • Deixe um comentárionão é o mundo
cheio de cores
que me deixa
perplexo.
mas a capacidade
do meu, de ofuscá-las
tão
rapidamente.
tão rápido, talvez, a fim de conter o penetrar profundamente que o
brilho delas impõem aos meus olhos desacostumados.
raimundos.
•29/04/2009 • 1 Comentário[coisas que apenas os estranhos,
sabem que precisamos ouvir, e dizem.]
is that all?
•20/04/2009 • Deixe um comentário
‘Is that all there is, is that all there isIf that’s all there is my friends, then let’s keep dancing
Let’s break out the booze and have a ball
If that’s all there is.’
as paredes.
•19/04/2009 • 1 Comentário
excesso, excesso de uma eloquencia burocrática, tal repetição constante dos mesmos artifícios, em pequenos disparos isolados ao todo, tão incompleto quanto indiferente.
-
prazer, apatia. essa é a sua loucura egoísta produzindo tuas palavras pretenciosas, e seu descuido e vazios completos,
no mesmo lugar que já não há lugar algum, por não se saber onde está.
-
os mesmos olhos que me atravessam e as paredes da minha garota, intactas,
respondem à uma das primeiras perguntas:
- se eu estaria aqui se não fosse por ela?
-não.
diálogos.
•16/04/2009 • Deixe um comentárionão, paixão, eu não tenho a mínima idéia do que eu estou fazendo ou falando. é de um desespero agradavel o tom da minha voz, que você não pode ouvir. e a aflição constante desses dias, é você que não sai da minha cabeça, são as suas próprias palavras frias. eu sei que é o frio desse lugar que piora as coisas, e a porrada de coisas que não saem da minha boca. não tem boca nem orelha pra essa porra toda, e eu sei.
eu fico aqui repetindo absolutamente imersa nessas ilusões cheias de flores:
- não há limite, amor, não há.
enquanto eles estão todos aqui, bem na minha frente. e eu sinto tanto por ser verdade, é como se eu precisasse pedir desculpas por ela, tão mais do que pelas mentiras. mas eu não quero, eu sei que eu não vou ver nada, e eu não quero te deixar ver.
fecha os olhos comigo?
[...]doesn’t seem real at all.
tais aflições.
Displaced.
•05/03/2009 • 1 Comentário‘its just a simple line’ Já havia uma trilha quando meu pássaro apareceu, como se estivesse à sua espera. Lembro de ir buscar o meu torrão de açúcar, com uma felicidade incomum. Minha xícara de plástico verde vazia, uma satisfação de final da tarde estranha, havia errado o caminho. E foi no atravessar a rua com passos largos, por cima dos carros, com a mão batendo ao bolso de trás atrás da certeza de não ter esquecido o maço, e já com ele, torrão, nas mãos, que em direção ao banco, pensei na música. Pensei nos meus dedos, nas coincidências. Lembro de perder o olhar, esquecer o torrão de açúcar por algum lugar. Nunca lembro onde. E então voltar: Verdes, sérios. – “são pra mim?”. Me falou sobre aquela outra, se calou. Eu tão longe. Tão longe. “foi legal?”, assim, não tinha o que falar, disse qualquer coisa: “Foi”. Esses precioso diálogos perdidos, me lembrando que o café que nunca tomamos antes daquele momento, e não tomaríamos mais senão pelo café. Não casualidade, destino. Sei que sabia quando olhava meus olhos desapercebidos, interessados em qualquer outra coisa, pela rua, por perto, porque voltava o olhar e os percebia densos e acinzentados. No outro dia, de fones, as calças eram as mesmas, aquelas rasgadas, com os rasgos não tão largos na época, a parte branca não tão a mostra, até por isso, penso agora que deveria tampá-los, talvez flanela, ou aquela camisa de retalhos, já que penso em jogá-la fora: os botões já não aguentam, o cheiro é de outra pessoa. Não sei, já não me interesso pela calça. Mas nesse dia, me interessava, não era meu torrão, mas era in.crivel.mente bela. “você está linda”- foi o que eu disse? “estou viciada nessas músicas, ouve você também”. E tocavam as duas. Era fossa antes do momento certo, no exato momento de se-a-completamente-xonar, e procurar um choro escondido no meio de uma felicidade, que perceberia depois, era tão imensa. Os melhores momentos e lembranças. Tão azure.

cinza.
•22/02/2009 • 1 Comentáriopontualmente, caio.
“Não gosto quando a gente fica falando assim no que não foi, no que poderia ter sido. God! Não aos sábados, principalmente à noite. não hoje, por favor, hoje não dá, eu tenho. Eu tenho uma sensação meio de amargura, de fracasso. Você me entende? Como se tivesse a obrigação de ter sido, ou tentado ser, outra pessoa’
uma cerveja e eu tenho certeza do teu exato tamanho. fico atenta de longe, nem precisa chegar perto, você vai e se entrega por inteiro. ainda que aos poucos, uma pequena pista, variação de voz: inteiro. armadilha do orgulho, que nunca realmente sabe o que está fazendo. pra onde está apontando. sim, também havia um jogo. por isso era tão interessante. só não é mais porque eu não sei perder, e acho que você joga sujo demais, e é verdade. você nem percebe que acabou e acredita que isso surte algum efeito. aí quanto mais frio o tempo e você vão ficando, eu vou deixando que o tempo deixe mais uma porrada de coisa. você nem percebe, agora é desatento. não permito que chame tanta a atenção. agora eu deixo simples, simples, completamente simples. não por desbotamento, por opção. e você me acha pequena. e é a prova de que não vê além. agora simplesmente dói. não porque eu sou fraca, de novo, não, mas porque eu permito doer. a falta de silêncios, de conforto, sempre doem. e quanto mais você se protege mais absurdo parece pra mim, à essas tantas, tentar te desproteger. tirar suas novas armadilhas. não, acabo deixando, sem discutir. apenas indo. falando o que quiser. você cego, eu surda.
Oh, well.
•19/02/2009 • Deixe um comentáriowhat you did to me made me see myself as something different. seu olhar vajo ia além da janela, além do reflexo dos dois olhos fundos grandes do outro lado do espelho, que por sua vez, a encaravam fixamente, com certo ar veladamente apaixonado, vagarosamente pelos cantos e arestas, de uma certeza de infinita ilusão ótica, e uma finita e bêbada ilusão real que a lembrava do fundo pálido e bege. Lembrava em um momento ou outro, ao se pegar com um leve sorriso ao canto dos lábios, daquelas manhãs que precederam junho, assim, como as manhãs desse atual sonho, precedendo June – que agora a ensurdecia de tão quieta, velada como a paixão infantil, surda que a outra dizia-, em que aquela de junho, cantava pra si mesma, ao sorrir pro mundo, todas as manhãs, quase sempre no mesmo lugar, trazendo o mesmo cheiro que vinha dos cabelos molhados, e a boca naturalmente rosa. Rosa como essa cheia de espinhos, que se desculpa agora até mesmo pela natureza, pelo gosto natural de desordem, sobre todas as coisas. though I try to talk sense to myself but I just won’t listen. Sabia desde então que não ouviria mais nada, desde junho. Desde que ouvira pela primeira vez qualquer coisa durante a aula a respeito da variedade de triângulos. Tudo começa pelo começo. E foi exatamente ali, quando disse que iria embora. Won’t you go away? Acho que não lembrava mais, não devia lembrar, Henry enchera seu coração e ventre, novamente, de nós, de desejos incomuns, mais, mais. Desejos por mais desejos. Mas a outra já havia contado. E de maneira tão absurda que mais certo seria que admitissem no mesmo momento a incapacidade de continuar qualquer conversa dali em diante, qualquer contato, qualquer, qualquer tentativa de qualquer coisa. Algumas coisas simplesmente desaparecem, não por serem desapegadas ou irresponsaveis, mas justamente por o serem muito. Seria impossivel que qualquer coisa continuasse a existir, e aquele prédio restiria sempre àquele exato momento. E issojustificaria a fuga que faria nos próximos dias. turn yourself in, you’re no good at confession. Não pareceu tão grande, pareceu à altura. Afinal de contas, o pau dele já havia estado em suas mãos, e que absurdo, o que fazia àquela altura de completa anestesia o pau dele em suas mãos? Lembrava do álcool. Do cheiro ruim que ficou na roupa, cabelos e pernas depois disso. Parecia tão justo e justificável. Esvaeceu. De um estado para outro: nenhum. Before the image that you burned me in [...]. O que a outra reclamava, continuou a reclamar. Até simplesmente se calar. Isso pode ter sido antes ou depois do dia em que teve certeza que não continuaria ali, mas aconteceu sem que esperasse, enquanto a outra dormia, no sofá esfolado daquela sala quente, cheia de anseios, ela estava sentada, completmente desolada, como louca, que era, enquanto completemente sã, consciente, clara. Era tão claro que doía aos olhos, e por isso os fechava, procurava a proteção cega do lado mais escuro da expectativa, que jazia, assim, morta, ao lado, completamente alheia ao que.. era Hugo. [...]tries to teach you a lesson. lição que devia ter aprendido era que o silêncio deveria ser ato simples, consequência natural das coisas, sem tanta dor, sem tanto amor. Silêncio apenas. Lição de junho. A de june, era a flexibilidade abalavel das coisas, o talento pela mentira. Como ela, era terrivel para confessar qualquer coisa, e havia uma certeza estranha , premonitória e até um pouco pretenciosa como poderiam dizer e disseram, de que ela mesma havia atraído todas aquelas coisas pra si, como triângulo que inha daquelas tardes de trânsito, daquele not about love jocoso daquela que construiu todo o prazer do conto. Ainda agora, repetidamente. what you did to me made me see myself as something awful. Ela era a culpada, sabia. Culpada, era como se ela devesse pedir desculpas. E pediu. Com um orgulho de mulher ferida, imaginando o coito, a coxa, o pau, o gemido, as risadas do outro dia, tudo junto, tudo patéticamente unido à idéia de romance, coisas de colegial, os vinte anos. Esse tipo de coisa se sente antes, e não ri. Sentiu antes, sentiu depois, chegou a comentar com quem a completa sobre algum segredo, o aperto, a coisa que ninguem viu passando pelo céu. Então, sentou e riu. it took me such a long time to get back up the first time you did it. Havia passado algum tempo, até descobrir que não havia passado tempo algum, e que tudo era exatamente como havia deixado antes, vazio e morno. E então, de repente: era. Merda nenhuma, mas precisava contar.
i spent all I had to get it back. and now it seems i’ve been out-bidded.
what wasted uncondicional love.
on somebody who doesnt believe
in the stuff.
-
•19/01/2009 • Deixe um comentárioessa cara que eu faço, eu sei, é desgostosa. de um colorido apático, que mudo, tento poupar do que mais há por trás dela, ainda que não haja, já lhe poupo a ameaça, que intensidade agora, sei que seria pior que a doença.
[sua.
Algo correndo pra lá e pra cá.
•23/10/2008 • 2 ComentáriosEles se reencontram: “Já faz tanto tempo, tanto”. Admiram-se, estão tão diferentes. E a diferença assim distante é elogio. Não se gosta de ouvir o contrário, que é a mesma, que não se mudou nada. Se quer mudar. Changing, changing. Anseios por essas aparentes revoluções estéticas, físicas. As mulheres claro, vão lá, são elas as que mais acreditam em mudanças de dentro pra fora, por isso pintam a casa, mudam os móveis de lugar, cortam os cabelos, esticam, pintam, descolorem, compram bolsas e sapatos novos, se olham no espelho: as sobrancelhas parecem novas, as unhas, as cores, tanto mudaram.
Recomeço.
O tempo passa, quando as coisas nos parecem diferentes. Como quando acordar num dia qualquer olhar pros pés e achá-los diferentes. Mais brancos, é de tanto trabalhar, muito sapato. As mãos, diferentes. Mais pintadas. Passar a mão no rosto, – primeira reação desesperada- e senti-lo flácido aos dedos. Texturas. As texturas importam. Importarão ainda mais, quando vierem com a legenda tempo por entre suas dobras. Quando casar passa. E as texturas que vão decorar as paredes da nova casa.
Laranja.
Ela não casou. Continua gostando de gatos, continua pintando, continua apitando na vida dos outros, continua amando, continua transgredindo no tom de voz, revolucionando a si mesma e criticando os políticos. Mas é reacionária. Só não louca ainda porque as visitas atrás de seus deliciosos pastéis e bolos com coberturas de limão trazem a realidade dos que podem ouvi-la. E mesmo que imaginação seja tudo, as noticias claras, concisas, diretas, elas são reais, é realidade. A voz limpa, não pigarreada nos dizendo: os meninos, os dois, atropelados. É eles foram. Não há chiado na comunicação, não há duvidas, morreram. E então? Ela os ouve, pelos lábios; E ainda continua surda.
E que beleza me parece, daqui dessa cadeira tão alta, com esse choque, esse susto tão articulado pelo meu corpo, das cordas aos pés, dos contornos ao fundo. É choque. E de chocada nem tento tentar. Mas daqui do alto, dessa cadeira desconfortável aos olhos dos que se aconchegam no sofá.
É belíssimo vê-las se perdendo.
E vomitar.
•24/09/2008 • 2 ComentáriosEla ama o melhor amigo dela. E não que o problema seja amá-lo. Amalo por amalo, também amo o meu. Assim, num amor silenciosamente amigo.o que incomoda é que ela o veja como homem, de barba, e forte, e grande, e maior que ela. E que pra ele ela tenha pernas, e que algo entre por elas, e que eles possam dar as mãos. E que sejam homem e mulher. E não crianças. Ou talvez crianças e homem e mulher.
E pensar nisso, faz secar minha garganta, e me fazer voltar aqueles devaneios sobre os atentados prazerosos que se pode fazer nos sonhos. E falar das pernas, falar da barba, com meus nós, travados. E a cabeça indo longe, longe demais pra que eu acompanhe o galope. E aí até o galope, até o galope vem me.. Mas não, não se engana, talvez incomode porque eu chego perto de um prazer que vai gelando, e vai subindo pela minha barriga, e vai deixando meus ouvidos um tanto surdos, e o coração teimando em ir batendo descompassando por perto da necessidade que tenho de observá-lo pra ir me notando maior, e o ar, é tudo oco, e aí, ali, no frio, tem nojo, e aflição que me causa, dos ouvidos às extremidades dos dedos, que se gelam, e agora martelam as teclas, e eu enxergo roxo. Tudo roxo, não é vermelho, não é rosa, é roxo, é rubro, é triste, é alto, é forte, é mudo, é surdo, é puta merda, a certeza que há encanto no que conta. Das histórias aos segundos, que você já reconta, em sua aflição por reencontrá-lo.
E eu fico surda, eu sou surda, não, eu não ouço nada. Porque me dói, me dói tão fundo, e tão forte, e tão inexplicavelmente doído que eu tenho medo de entender que é, porque é, e eu finjo que finjo que entendo, mas não entendo. Não entendo nada. De burra, de louca. E surda, nunca conseguiria melhor explicação pro que sinto nos ouvidos, e no corpo, porque o corpo vai pedindo, vai querendo aborto, assim, sem mais. Vai expelindo, vai assim, eu sinto um tesão que fode, fode pelos absurdos do meu próprio absurdo nisso tudo.
E vai abortando nesse enjôo, esse enjôo por trás das brancuras que nela enfio, do frio das brancuras que nela enfiei. E aí se torna branco, e eu não aviso, a verdade é que eu não preciso avisar.
E aí que a loucura precisa respirar um pouco, e eu preciso ir reencontrando o caminho dos meus pareceres tão melhor, porque não há abrigo nela. Fechar assim, fechar os olhos. Ir construindo eu mesma o abrigo, e a certeza. Perto dele. Um fio aqui, a luz, se concentra na luz. Um cigarro, vejo um nos dedos, um copo, os olhos manchados, a cabeça reclinando e soltando a fumaça, aos poucos, os contornos de uma dança acinzentada que me faz tanta falta, tanta, e as lágrimas, o colo, a certeza que ele vai estar lá, é preciso sentí-la, como se dali ele não pudesse sair, pra eu poder falar, assim, sem me preocupar com o tom da minha voz, com o estado da minha roupa, com a maneira como me sento, com os silêncios que vão me acometer, com gozar ou não gozar, com medo ou não, que dessa vez, com muito medo, sem prazer nenhum, com os olhos encharcados, a alma pequena, pequena, perto, os ouvidos tapados, envergonhada, pequena, simples, qualquer uma, qualquer uma, dizer assim, olhando pra você e pedindo que seja tão verdade quanto o que sinto no estômago, assim, parecendo o que parecer, que desisto, desisto, desisto, desisto, desisto de toda essa pretensão.
Do inicio dela, de todas as pessoas dela, de mim nela, dos fins, de toda a pretensão que me abriga.
Recuso o abrigo, senhora, muito obrigada. Relento, só o relento, eu e ele. Só eu. Pra que eu volte menina pra casa, e apenas. E diga qualquer coisa atravessada pros meus pais, feche a porta, e me sente na cama e olhe o teto, tire as calças, e toque minhas pernas geladas, e fique acordada a noite toda, completa em tudo que me falta.
idéias perdidas.
•20/09/2008 • Deixe um comentáriovem trançar tuas pernas na loucura de vez, louco. trançar tuas pernas à louca, que lhe trança as dela. Ferir-lhe um tanto mais com eu toque um tanto mais, um tanto mais, e apenas.
-
E as duas, três folhas que guardava no bolso, já amarrotando-lhe as pontas. Menos denso, menos.
-
Guardando seus cravos, seus cheiros tão bons pelos lugares onde corria em outrora de calmarias sem fim.
Príncipio, fim.
-
Corria pela boca, entre dente e língua, um líquido espesso, mais espesso que a própria saliva a estranhar seu gosto matutino, um pouco de um gosto amargo da desilusão do dia anterior solitário, no aguardo de hoje. Gosto que ia tornando os segundo tão maiores do que o relógio dizia que eram, tão. Um dia inteiro feito de resquícios inteiriços de um ontem, que desde então fora, tão belo em sua desesperança quanto ao seu final, pelo ante, ante, anteontem sem fim.
-
As marcas condensadas, de nuvem desbotada, no reflexo dos olhos, de um sonho roseado de dias tão menos tristes, ali. Infinitamente maiores que o resto das coisas que se olha em dias assim.
-
e.
- São anos quase inteiros os dias. – o disse.
Corre assim, assim quase chegando à lugar algum que te alcanço além.
-
E ficar assim, imaginando teus próximos dias, até os mais vermelhos dos teus próximos dias. E enlouquecer nessa ansiedade nervosa de algo que sei, se estiver por perto, não chegarei a ver.
