E vomitar.

Ela ama o melhor amigo dela. E não que o problema seja amá-lo. Amalo por amalo, também amo o meu. Assim, num amor silenciosamente amigo.o que incomoda é que ela o veja como homem, de barba, e forte, e grande, e maior que ela. E que pra ele ela tenha pernas, e que algo entre por elas, e que eles possam dar as mãos. E que sejam homem e mulher. E não crianças. Ou talvez crianças e homem e mulher.

E pensar nisso, faz secar minha garganta, e me fazer voltar aqueles devaneios sobre os atentados prazerosos que se pode fazer nos sonhos. E falar das pernas, falar da barba, com meus nós, travados. E a cabeça indo longe, longe demais pra que eu acompanhe o galope. E aí até o galope, até o galope vem me.. Mas não, não se engana, talvez incomode porque eu chego perto de um prazer que vai gelando, e vai subindo pela minha barriga, e vai deixando meus ouvidos um tanto surdos, e o coração teimando em ir batendo descompassando por perto da necessidade que tenho de observá-lo pra ir me notando maior, e o ar, é tudo oco, e aí, ali, no frio, tem nojo, e aflição que me causa, dos ouvidos às extremidades dos dedos, que se gelam, e agora martelam as teclas, e eu enxergo roxo. Tudo roxo, não é vermelho, não é rosa, é roxo, é rubro, é triste, é alto, é forte, é mudo, é surdo, é puta merda, a certeza que há encanto no que conta. Das histórias aos segundos, que você já reconta, em sua aflição por reencontrá-lo.

E eu fico surda, eu sou surda, não, eu não ouço nada. Porque me dói, me dói tão fundo, e tão forte, e tão inexplicavelmente doído que eu tenho medo de entender que é, porque é, e eu finjo que finjo que entendo, mas não entendo. Não entendo nada. De burra, de louca. E surda, nunca conseguiria melhor explicação pro que sinto nos ouvidos, e no corpo, porque o corpo vai pedindo, vai querendo aborto, assim, sem mais. Vai expelindo, vai assim, eu sinto um tesão que fode, fode pelos absurdos do meu próprio absurdo nisso tudo.

E vai abortando nesse enjôo, esse enjôo por trás das brancuras que nela enfio, do frio das brancuras que nela enfiei. E aí se torna branco, e eu não aviso, a verdade é que eu não preciso avisar.

E aí que a loucura precisa respirar um pouco, e eu preciso ir reencontrando o caminho dos meus pareceres tão melhor, porque não há abrigo nela. Fechar assim, fechar os olhos. Ir construindo eu mesma o abrigo, e a certeza. Perto dele. Um fio aqui, a luz, se concentra na luz. Um cigarro, vejo um nos dedos, um copo, os olhos manchados, a cabeça reclinando e soltando a fumaça, aos poucos, os contornos de uma dança acinzentada que me faz tanta falta, tanta, e as lágrimas, o colo, a certeza que ele vai estar lá, é preciso sentí-la, como se dali ele não pudesse sair, pra eu poder falar, assim, sem me preocupar com o tom da minha voz, com o estado da minha roupa, com a maneira como me sento, com os silêncios que vão me acometer, com gozar ou não gozar, com medo ou não, que dessa vez, com muito medo, sem prazer nenhum, com os olhos encharcados, a alma pequena, pequena, perto, os ouvidos tapados, envergonhada, pequena, simples, qualquer uma, qualquer uma, dizer assim, olhando pra você e pedindo que seja tão verdade quanto o que sinto no estômago, assim, parecendo o que parecer, que desisto, desisto, desisto, desisto, desisto de toda essa pretensão.

Do inicio dela, de todas as pessoas dela, de mim nela, dos fins, de toda a pretensão que me abriga.
Recuso o abrigo, senhora, muito obrigada. Relento, só o relento, eu e ele. Só eu. Pra que eu volte menina pra casa, e apenas. E diga qualquer coisa atravessada pros meus pais, feche a porta, e me sente na cama e olhe o teto, tire as calças, e toque minhas pernas geladas, e fique acordada a noite toda, completa em tudo que me falta.

~ por slowdrug em 24/09/2008.

2 Respostas to “E vomitar.”

  1. “Os que andam sempre em frente, nunca param para esperar algo. Os que andam sempre em frente se permitem alcançar, mas só o suficiente para testar o quanto quem o segue pode aguentar.Acompanhe e seja acompanhada.Se livre ou se prenda”

    Estava aqui pensando, parado e pensando, será que vale a pena ser assim? Sem raízes? Desapegado?

    Isso me cansa, o mundo me cansa, as coisas me cansam, ao ponto de me fazer parar em um canto, em um tempo, simplesmente acomodado e vivendo a paranóia de pelo menos ser um pouquinho normal, feliz… E não ser revoltado com minha própria mente, com o passado, com tudo que pode fazer relembrar algo. Fazer do alcool o melhor amigo, não ter medo de morrer. Quando é que as coisas valem a pena? Quando? Cada vez só faço mais me perder, egoístamente me perder…

  2. Sabe o que me faz feliz? Você.

    “Nela, Bela, se detém Deus, a alma, a Morte e o Roxo. O que me fortalece e o que me destrói. O que busco, mas que num piscar de olhos se transforma no que fujo. Sujo, mudo e confuso. Me mantenho nesse total desuso, pois os que temem amam; os que amam nada temem”

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